12 de março: dia do Bibliotecário

PAIXÃO PELA PROFISSÃO

 

Por Fernando Modesto

 

Ser bibliotecário é antes de mais nada uma emoção. Algo que nos atrai e motiva significativamente. Por ser um apaixonado pela Biblioteconomia, passei momentos agradáveis conversando sobre um assunto que gosto, de coração e alma.

Apesar das dificuldades inerentes a qualquer profissão, sempre temos motivos para comemorar, pois a alegria profissional é sempre muito maior quando fazemos algo que gostamos. Nada substitui a realização pessoal e profissional proporcionada por uma carreira pela qual se é apaixonado.

Certamente, vivenciamos um período de impactos tecnológicos. Grande crescimento e popularização no uso de computadores e outros aparatos interligados em rede. Massiva troca de dados, com otimização das formas de comunicação. Há novos e variados formatos de conteúdos usados na armazenagem e distribuição de informações.

Neste cenário, onde alguns prenunciam a morte da Biblioteconomia, o bibliotecário vai encontrando formas novas e criativas de organizar, estocar, representar, e recuperar a informação impressa e digital.

Na realidade, não importa qual seja a atividade humana, todo o mundo da informação passa por uma revolução, e essa revolução se estende aos cantos mais recônditos do planeta, e afeta a todas as profissões. Hugh Hewitt comenta que “A vida é hábito. Seres humanos são criaturas de hábitos. As pessoas estão mudando seus hábitos no que diz respeito à obtenção de informação” (Blog. Rio de Janeiro: Thomas Nelson, 2007).

Assim, para os bibliotecários é importante acompanhar, compreender e fazer-se significativo ao público. O usuário que era, e é presencial, é também, agora, virtual (materializado em nossa mente no contato em tempo real por meio de computadores), se não tem face visível, tem interfaces dinâmicas, comunicativas, e colaborativas.

Neste aspecto indaga-se: Quem é ou o que faz um bibliotecário? Segundo o Conselho Federal de Biblioteconomia – CFB, é um “profissional qualificado para interagir com processos de registro e transferência da informação (da geração ao uso), interpretando criticamente a realidade social, com uma visão contributiva e consciente de seu papel social e de sua atuação no avanço científico e tecnológico do seu estado e da região, sem desconsiderar as dimensões humanas e éticas do conhecimento, da tecnologia das relações sociais” (O bibliotecário, 2008).

Podemos dizer, com outros termos, o que faz um bibliotecário? É um ser humano que por meio de sua atividade estimula sonhos, imaginação, desejos, e encantos nas pessoas. Motiva a tomada de decisão; a busca de alternativas; e as opções de novos caminhos. Incentiva sorrisos, alegrias, o bom humor para vida. Enriquece idéias, incita criatividade e inovação. Orienta os olhares para novos fatos, reflexão da realidade, descobertas que promovam o desenvolvimento humano. Possibilita encontros, agrega pessoas com interesses comuns, gera contatos e parcerias que ampliam horizontes de oportunidades.

Com seu trabalho o bibliotecário contribui para tonificar os gestos humanos nas relações e comunicações entre as pessoas, possibilitando a melhora da expressão humana.

A identificação do que pode fazer um bibliotecário, permite indagar também, qual é o campo de sua atuação profissional? Seu campo de trabalho é amplo. A aplicação das suas competências (métodos e técnicas) abrange e afeta a razão, a emoção, e as ações das pessoas. Atua-se sobre todos os sentidos humanos aprimorando-os com bons produtos e serviços. O que envolve: a visão da realidade; a audição na percepção dos conceitos e das palavras; acuidade do olfato na seleção das boas ideias e sugestões; o paladar na escolha das fontes consistentes e no conteúdo de qualidade e confiabilidade; o tato na solidificação das relações humanas, expressões de comunicação e carinho; a consciência da própria existência (penso, logo existo).

Em suma, o amplo campo de atuação do bibliotecário é o ser humano, em toda a sua infinitude.

 

Sobre o autor

Fernando Modesto possui graduação e mestrado na área de Biblioteconomia e Documentação pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, SP; doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (2001). Atualmente é professor da Universidade de São Paulo.

Fonte: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPQ.